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quinta-feira, 16 de junho de 2016
quarta-feira, 24 de junho de 2015
E sempre que volto de Minas insistem em ficar por lá..
Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas voar… Voar a vida não deixou. Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar.
Muito bem. Aí o homem foi lá e criou a roda. A Kombi. O patinete. A Harley. O Boeing 737. E a gente descobriu que, mesmo sem asas, poderia voar. Mas a grande complicação foi quando a gente percebeu que poderia ir sem data para voltar.
E assim começaram a surgir os corajosos que deixaram suas cidades de fome e miséria para tentar alimentar a família nas capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar com o futuro incrível e hipotético que os espera. Os corajosos que deixaram cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem duas vezes. Os corajosos que deixaram, enfim, a vida que tinham nas mãos, para voar para vidas que decidiram encarar de peito aberto.
A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas.
E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão.
Mas será que a gente aprende? A ficar doente sem colo, a sentir o cheiro da comida com os olhos, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos, dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras?
Será que a gente aprende? A ser filho de longe, a amar via Skype, a ver crianças crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente?
Será que a vida será sempre esta sina, em qualquer dos lados em que a gente esteja? Será que estaremos aqui nos perguntando se deveríamos estar lá e vice versa? Será teste, será opção, será coragem ou será carma?
Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo? Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar?
Eu sei que não é fácil. E que admiro quem encarou e encara tudo isso, todo dia.
Quem deixou Vitória da Conquista, São José do Rio Preto, Floripa, Minas Gerais, Recife, Sorocaba, Cuiabá ou Paris para construir uma vida em São Paulo. Quem deixou São Paulo pra ir para o Rio, para Brasília, Dublin, Nova York, Aix-en-provence, Brisbane, Lisboa. Quem deixou a Bolívia, a Colômbia ou o Haiti para tentar viver no Brasil. Quem trocou Portugal pela Itália, a Itália pela França, a França pelos Emirados. Quem deixou o Senegal ou o Marrocos para tentar ser feliz na França. Quem deixou Angola, Moçambique ou Cabo Verde para viver em Portugal. Para quem tenta, para quem peita, para quem vai.
O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep walking.
* Texto de Ruth Manus, publicado originalmente no Estadão. Mas podia ser meu.
segunda-feira, 23 de março de 2015
É preciso ir embora
Achei este texto hoje no blog Antônia no Divã e resolvi publicar aqui, por que é algo que tenho pensado bastante...
"É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.
Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.
"É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.
É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.
Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação
que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando
convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por
minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você
mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva.
As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar
as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas."
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Eu me rendo.
** Crônica de Danuza Leão
Quantas mentiras nos contaram. Foram
tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar
culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma
sucessão de vitórias e felicidades como nos filmes. Uma das mentiras: nós,
mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma
carreira profissional brilhante. É muito
simples: não podemos.
Quando você se dedica de corpo e alma a
seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando
devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o
marido chega, para cumprir o papel de amante do seu homem. Aliás, nem a de
companheira - quem vai conseguir trocar
uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho, passou no
supermercado para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o
jantar, e ainda por cima não teve tempo de fazer as unhas?
Mas as revistas
femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os maridos - de que um
peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por
um vinho branco é facílimo de fazer - sem
esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar
tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos
anos. Ufa...
Outra grande mentira diz respeito à
mulher que trabalha; não à que faz de conta que trabalha, mas à que trabalha
mesmo. No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e
estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de
trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o
cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour.
Dizem que o trabalho enobrece, o que pode
até ser verdade. Mas ele também
envelhece, destrói e enruga a pele. Não adianta, uma mulher glamourosa e
pronta a fazer todos os charmes - aqueles
que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro. Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais
livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um
acupunturista que a relaxe; tempo
para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão,
fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma
excelente empregada - o que também custa dinheiro.
Felizes são as mulheres que têm cinco
minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta
contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine
sem que um só minuto seja perdido. Mas tem as outras, com filhos já crescidos:
essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como
foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o
rendimento escolar está baixo. E ainda tem as outras que, com ou sem filhos,
ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem
viver.
Segundo um conhecedor da alma humana,
só existem três coisas sem as quais não se pode viver: ar, água e pão. Convenhamos que é difícil ser uma mulher de
verdade; impossível, eu diria.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Acho a maior graça
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz
bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer
gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante
desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei
direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me
deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens
aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do
carro me faz perder toda a fé no ser humano. E telejornais... Os médicos
deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em
silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o
autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é
prejudicial à saúde! E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas,
pior ainda! Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou
mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do
fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme
ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é
melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que
rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que
dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!
Texto de Martha Medeiros
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Mude.
Mas
comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da
rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por
onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira pra passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira pra passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma do outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida. Tente.
Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou
vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de
sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores
Use canetas de outras cores
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras poesias.
Jogue fora os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um novo emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas.
Mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"
Texto de Edson Marques, do blog http://mude.blogspot.com.br/
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também.
Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também.
E um polvo.
Um restaurante delivery.
Uma máquina de chocolate prontinho.
Uma mecânica de carrinhos de controle remoto.
Uma médica de
bonecas.
Uma
professora-terapeuta-cozinheira de carreira medíocre.
Nasce uma
fábrica de cafuné, um chafariz de soro fisiológico, um robô que desperta ao som
de choro.
E
principalmente: nasce a fada do beijo.
Quando nasce um bebê, nasce também o medo da morte – mães não se conformam
em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Não pense você que ao se tornar mãe uma mulher abandona todas as mulheres
que já foi um dia.
Bobagem.
Ganha mais mulheres em si mesma.
Com seus desejos aumentam sua
audácia, sua garra, seus poderes.
Se já era impossível, cuidado: ela vira
muitas.
Também não me venha imaginar mães como seres delicados e frágeis.
Mães
são fogo, ninguém segura.
Se antes eram incapazes de matar um mosquito,
adquirem uma fúria inédita.
Montam guarda ao lado de suas crias, capazes de
matar tudo o que zumbir perto delas: pernilongos, lagartas, leões, gente.
Mães não têm tempo para o ensaio: estreiam a peça no susto.
Aprendem a
pilotar o avião em pleno voo.
E dão o exemplo, mesmo que nunca tenham sido
exemplo.
Cobrem seus filhos com o cobertor que lhes falta.
E, não raro, depois
de fazerem o impossível, acreditam que poderiam ter feito melhor.
Nunca estarão
prontas para a tarefa gigantesca que é criar um filho – alguém está?
Mente quem diz que mãe sente menos dor – pelo contrário!
Ela apenas aprende
a deixar sua dor para outra hora.
Atira o seu choro no chão para ir acalentar o
do filho.
Nas horas vagas, dorme.
Abastece a casa.
Trabalha.
Encontra os
amigos.
Lê – ou adormece com um livro no rosto.
E, quando tem tempo pra chorar
– cadê? -, passou.
A mãe então aproveita que a casa está calma e vai recolher
os brinquedos da sala. “Como esse menino cresceu”, ela pensa, a caminho do
quarto do filho.
Termina o dia exausta, sentada no chão da sala, acompanhada de
um sorriso besta.
Já os filhos, ah…
Filhos fazem a mãe voltar os olhos para coisas que não
importavam antes.
O índice de umidade do ar.
Os ingredientes do suco de
caixinha.
O nível de sódio do macarrão sem glúten.
Onde fica a Guiné-Bissau.
Os
rumos da agricultura orgânica.
As alternativas contra o aquecimento global.
Política.
E até sua própria saúde.
Mães são mulheres ressuscitadas.
Filhos as
rejuvenescem, tornando a vida delas mais perigosa – e mais urgente.
Quando nasce um bebê, nasce uma empreiteira.
Capaz de cavar a estrada
quando não há caminho, só para poder indicar: “É por ali, filho, naquela
direção”.
Texto de Cris G. que circulou na NET esta semana e achei lindo.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
O Caminhão de Lixo
Hoje de manha peguei o telefone e liguei para o meu irmão, estava com saudades e queria conversar sobre a vida - e informar sobre as vacinas que nossas crianças tem que tomar, vou falar em outro post!).
Ele já me atendeu com várias pedras na mão (ou com a ferradura afiada, como ele mesmo diz), que nossa mãe (que nunca leu este blog mesmo..) estava arrumando muita confusão, que tinha os pedreiros, a rua que ela varria... e sumariamente me despachou dizendo que depois ligava.
Eu fiquei ali parada, com o telefone na mão, tentando entender por que não consigo conversar mais com meu irmão. Logo com meu irmão, que sempre foi tão próximo e carinhoso. Ai lembrei de um texto do Arnaldo Jabor que gostou muito sobre A Lei do Caminhão de Lixo.
" Um dia
peguei um táxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando um
carro preto saiu de repente do estacionamento direto na nossa frente. O taxista
pisou no freio bruscamente, deslizou e escapou de bater em outro carro, foi
mesmo por um triz! O motorista desse outro carro sacudiu a cabeça e começou a
gritar para nós nervosamente. Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara,
fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável.
Indignado
lhe perguntei: ‘Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro, a
nós e quase nos manda para o hospital?!?!’
Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo de “A Lei do Caminhão de Lixo.”
Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo.
Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, de raiva, traumas e
desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um
lugar para descarregar e às vezes descarregam sobre a gente.
Nunca
tome isso como pessoal. Isto não é problema seu! É dele! Apenas sorria, acene,
deseje-lhes sempre o bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e
nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, EM CASA, ou nas ruas. Fique
tranquilo… respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragar o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo com você!
Limpe os sentimentos
ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações. Ame
as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem. A vida é dez por
cento do que você faz dela e noventa por cento da maneira como você a recebe!”
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Arrume suas gavetas
Uma vez li alguma coisa a respeito de uma garota que pedia para a sua avó a solução de um problema grave. A avó disse: "suba, arrume suas gavetas e após fazer isso você terá a solução".
Experimentei perguntar para as pessoas mais velhas se realmente existe uma conexão e perguntei certa vez para a minha avó o que tinha a ver a gaveta com os problemas e ela muito sabiamente me falou que a gaveta desarrumada é o espelho da vida, então toda vez que você está com alguma coisa bagunçada, alguma área de sua vida manifesta bagunça. Toda vez que você está com alguma coisa desorganizada, essa desorganização se reflete na sua vida.
Lembre: você é um reflexo de Deus, um reflexo do universo. Você tem um mundo dentro de si. Sua casa é um reflexo de seus estados emocionais. Se você tem dentro de si reflexo do mundo, quando está desorganizado interiormente, manifesta isto exteriormente.
Quando essa manifestação exterior veio antes, você pode reorganizar o seu mundo interno mostrando simbolicamente que está arrumando externamente.
O universo funciona assim: o que está dentro está fora. O que está em cima está embaixo. O que está de um lado está de outro.
Então se você lembrar sempre que pode influenciar o interior com o exterior e vice-versa, você tem a chave para a organização total.
No momento em que você limpa a sua gaveta e joga fora aquilo que não presta, está reprogramando simbolicamente o seu interior. É uma das melhores chaves para conseguir serenidade e respostas para problemas muito difíceis.
Aproveite e arrume suas gavetas. Com certeza vai ajudar você a encontrar solução para muitos de seus problemas.
Texto encontrado na WEB, de autor desconhecido.
Pois é, minha casa esta o caos, é isso que estou precisando fazer - arrumar as gavetas.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Ser mãe é se fuder no paraíso”
Texto do Blog Mulher que corre com lobos com data de 6 de maio de
2013
Bento tinha 15 dias quando fui pela primeira vez à
pediatra. Estava feliz e molenga exibindo meu rebento pelas ruas. Na consulta,
ele se manteve quieto, exceto no momento em que ela tirou a sua roupa e tocou
nas suas bolas. Bolinhas. Ele sempre detestou essa burocracia toda que envolve
roupas. Houve uma fase (verão, obviamente)
que eu evitava trocar as roupas dele, só para não contrariá-lo. Para sair
do consultório fiquei 45 minutos na sala de espera dando de mamar para
acalmá-lo. O que aprendi com isso? “Não
se mexe com quem tá quieto.” Noutras palavras, Bento feliz, eu feliz. Bento
quieto, eu imóvel.
Na volta para casa, ele veio no canguru dormindo (graças ao Senhor). Entrei na minha vila
e cruzei com duas vizinhas, irmãs. Uma delas, mãe de 3 (haja coragem), me perguntou:
- Já teve vontade de jogar pela janela?
Eu ri e respondi:
- Ainda não! - eu só tinha 15 dias na condição
materna, no momento com 8 meses, faz todo sentido.
-Vai ter! E é normal. Só não é normal se você
jogar. Essa é a maternidade real. Você vai sentir raiva dele. Anota, pois isso
não está nos livros.
Não está mesmo.
Ó bebê santo, fofo e indefeso! Sim, eles são isso
tudo. Isso “tudo” é o que salva. Sua
fofura e a ocitocina que foi descarregada no meu corpo durante o meu parto são
as armas (do bem) que salvam Bento
dos meus momentos de fúria.
Amiga mãe e gestante, eu não senti, e sinto com
frequência, raiva, eu senti, sinto e sentirei (inevitavelmente) fúria! Fú-ria! Sabe pelo quê? Por coisas
aparentemente idiotas, mas que ilustram o lado não muito cor de rosa da
maternidade.
Tipo, dormir. Depois de
passar 8 meses dormindo picado, você quer ouvir a Sandy cantando “Imortal não morre no final” mas não
quer ouvir a voz do seu filho te chamando às 2am.
Outra coisa que vai
te irritar, surtos de choro quando você está tentando uma interação social.
Saio com meu filho para um almoço com amigos e ele resolve ficar enjoadinho,
reclamão. Você pensa, normal né? Que tipo de criança quer ficar parada? Só as
doentes ou as que foram embebidas num caldeirão de maconha ao nascer. Não foi o
meu caso e eu não estou reclamando, mas… Me irrita, e assumo, me ressinto pela perda da minha liberdade.
Conheço mães como eu e isso me alivia. Assumimos os pesares da maternidade sem
nos abster de nenhum cuidado com nossos filhos (vai ter vontade de jogar, mas não coragem, lembra?).
Num livro muito divertido sobre a história de
uma mãe que tinha um bebê pesado como o meu, ela cria a seguinte imagem: ser
mãe é como estar dentro de uma piscina de ondas 24horas. É exaustivo.
Vejo na mídia e nos livros, discrições do paraíso
em torno da maternidade. “Ser mãe é
padecer no paraíso”- a frase soa bonitinho, comportado. Quer
saber mesmo o que é ser mãe? Ser mãe é se fuder no
paraíso. Você experimenta o maior amor que poderia sentir, pelo ser
aparentemente mais adorável que poderia existir e, por conta disso, tem que
suportar todas as dificuldades para cria-lo bem. Vai ter que dar espaço
para ele exibir sua personalidade e o que vai te restar é aceitação.
Outra coisa que tinham que ensinar pra gente (se tentaram me ensinar, matei essa
aula) é como ter, fazer brotar, paciência. Já me peguei com o Bento
chorando, segurando sua mão e emanando o ohn. Ele parou de chorar, não porque
se acalmou com o mantra, mas porque achou esquisitíssimo sua mãe de olhos
fechados repetindo a mesma coisa. Acho que no fundo ele sabia: “é melhor eu parar, ela está no limite, vai
me colocar na cestinha.” Existe prótese de paciência? Eu compraria.
Quando estou na piscina de ondas por muito tempo,
direto com ele sem alguém para me render, entro num estado irritável
muito grande. Levo ele para passear e me deparo com mães felizes na
pracinha. Nada me faz mais culpada e raivosa do que mães felizes na
pracinha. Começa a conversa de Alice no país da maternidade. Meu
impulso é falar “Tá bom, vamos falar
a verdade, tem horas que dá vontade de bater a porta e isolar a chave, num
é?”
Não está nos livros, nem na internet, nem na conversa das mães da
pracinha, o lado negro da maternidade. Você vai querer tomar um porre. Vai
querer passar o dia na Prainha, e não duas horas do melhor sol no Ipa bebê
cercada de crianças que jogam areia em você. Vai querer ouvir Florence and The
Machine no carro e não o novo cd do Palavra Cantada. Vamos! Assuma!
A única coisa que essas falsas expectativas fazem é
gerar culpa. Saio da pracinha me sentindo odiável e com pena do Bento por me
ter como mãe. Também não está nos livros, culpa é inerente à
maternidade, andam de mãos dadas. Sua motivação é que você quer ser a
melhoooorrr mãe do muuundo. O que não sai como o esperado,
vai para sua caixinha de culpa. O problema é que culpada, você
procura ser melhooorrr ainnnddaaaa, enquanto deveria ser o melhor possível,
pois você também é protagonista nessa história.
Talvez, eu me sinta culpada por essas palavras (ou seria um desabafo?), mas vou me
prender ao que minha vizinha me disse. Eu não joguei pela janela.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Infância não é carreira e filho não é troféu
Texto publicado no blog http://www.todacriancapodeaprender.org.br/
Nesse mundo contemporâneo, ter, ser, saber, parecem fazer
parte de uma competição. Nesse mundo, alguns pais e algumas mães acabam
acreditando que é preciso que seus filhos saibam sempre mais que os filhos de
outros. E isso sim seria então sinal de adequação e o mais importante: de
sucesso.
O que uma criança deve saber aos 4 anos de
idade? Essa foi a pergunta feita por uma mãe, em um fórum de discussão
sobre educação de filhos, preocupada em saber se seu filho sabia o suficiente
para a sua idade.
Segundo Alicia Bayer, no artigo publicado em um
conhecido portal de notícias americano – The Huffngton Post -, o que
não só a entristeceu mas também a irritou foram as respostas, pois ao invés de
ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus
filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho
que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança
possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar.
Para contrapor às listas indicadas pelas mães, em que
constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome,
saber contar até 100, Bayer organizou uma lista bem mais interessante para que
pais e mães considerem que uma criança deve saber.
Veja alguns exemplos abaixo:
• Deve saber que a querem por completo,
incondicionalmente e em todos os momentos.
• Deve saber que está segura e deve saber como manter-se
a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.
• Deve saber seus direitos e que sua família sempre a
apoiará.
• Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar
sua imaginação.
• Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de
laranja ou desenhar gatos com seis patas.
• Deve saber que o mundo é mágico e ela também.
• Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa,
compassiva e maravilhosa.
• Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares
de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como
praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.
E ainda acrescenta uma lista que considera mais
importante. A lista do que os pais devem saber:
• Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer
cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma
como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.
• Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar
e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem
tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores
chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada
noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.
• Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa
da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir
a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com
múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas
que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
• Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros,
natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós
poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam
falta.
• Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em
uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10
minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que
horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades
extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do
que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus
relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos
manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem
se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer
o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho.
Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta
verdadeiramente estar com eles.
Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de
4 anos? Muito menos do que pensamos e muito mais!
sexta-feira, 25 de abril de 2014
25 atitudes que podem mudar a sua vida!
Texto
original publicado no Espaconave.org, em 29/09/2013 - By Rafaela
Cappai
1. Medo bobo, feio e chato a gente trata assim: faz língua pra ele e segue em frente! Não dê atenção pra medos que não fazem sentido.
1. Medo bobo, feio e chato a gente trata assim: faz língua pra ele e segue em frente! Não dê atenção pra medos que não fazem sentido.
2. Entendimento vem da ação. Ao invés de ficar pensando
como uma coisa funcionaria, bote a mão na massa pra ver realmente como ela
funciona.
3. Caiu, levanta rapidinho. Você vai falhar inúmeras
vezes. A diferença tá na sua capacidade de levantar novamente. E novamente. E
novamente…
4. Quer um resultado diferente? Faz diferente e páre de
dar murro em ponta de faca.
5. Seja um expert o suficiente. Aprenda o
necessário de cada coisa. Você não precisa se tornar um especialista em tudo.
6. Não sabe, descubra. Seja um hacker da sua
própria vida. Pergunte, pesquise, encontre a resposta.
7. Aprenda a sentir-se confortável no desconforto.
Jogue-se e passe a apreciar o vento no rosto durante a queda.
8. Dê adeus às crenças limitadoras. Nem tudo que você
acredita é verdade.
9. Pense fora da caixa. Mas que caixa ora bolas?
10. Delegue. Você não precisa fazer tudo. Concentre-se
naquilo que faz de melhor.
11. Você e o dinheiro: construindo uma relação de amor.
12. Dê um chute na bunda da resistência toda vez que ela
aparecer. Quando a malvada der as caras, não comece uma conversa. É apenas o
seu ego tentando te convencer a não fazer o que deveria ser feito.
13. Sem mimimi, a doença do fracasso. Não tenha dó de si
mesmo.
14. Entregue mais do que promete. Faça mais do que
necessário.
15. Seja um amador. Páre de achar que você já sabe tudo!
16. Vire aprendiz, um curioso pro resto da vida.
17. Se não está agendado, não é real!
18. Tire da cabeça e coloque no papel. Seu cérebro
agradece.
19. Diga não e cancele o que não vale a pena.
Sistematicamente, diariamente.
20. Crie armadilhas externas pra fazer o que tem que ser
feito. Marque uma reunião antes de estar pronto, conte pra alguém dos seus
planos.
21. Mude de direção quando preciso.
22. Beba de outras fontes. Saia do seu casulo e
experimente mundos diferentes do seu.
23. Comece antes de estar pronto! Você vai descobrir como
fazer no meio do caminho. Acredite!
24. Seja verdadeiro consigo mesmo. Autenticidade é a
moeda do século.
25. Acredite: você já tem tudo que é necessário.
quarta-feira, 19 de março de 2014
As perguntas que vão salvar suas relações
**Texto publicado no blog Antes que eles cresçam, de Cris Leão , no dia 29/01/2014.
Quando eu era mãe de três pequenos, confusos e bonitos pestinhas*,
tivemos dias que se prolongaram por vidas. Craig saia às 6h todas as manhãs e
enquanto eu observava ele saindo de casa de banho tomado e ferro passado, eu me
sentia incrivelmente abençoada e feliz por ter tanto tempo sozinha com meus
bebês e extremamente aterrorizada e amargurada de ter tanto tempo sozinha com
meus bebês. Se você não acredita que todos esses sentimentos podem existir ao
mesmo tempo – bem, você nunca foi uma mãe de pequenos, bagunçados e lindos
pestinhas.
Quando Craig voltava todos os dias às 18h (na verdade ele voltava às 17:50,
mas levava um tempo INACREDITÁVEL para checar a caixa do correio ) ele ia
atravessar a porta, sorrir e dizer – “Então, como foi o seu dia?”
Essa pergunta era como um holofote apontado diretamente para o abismo que
existia entre a experiência dele de um “dia” e minha experiência de um “dia”.
Como foi o meu dia?
A pergunta iria permanecer no ar por algum momento, enquanto eu olhava para
o Craig e o bebê empurrava a mão na minha boca, como eles fazem – enquanto o
mais velho gritou do banheiro: MAMÃE PRECISO DE AJUDA PARA FAZER O NÚMERO 2 e o
do meio chorava no canto porque “Eu nunca, nunca posso beber o detergente.
NUNCA! NEM UMA VEZ , mamãe!” E eu olho para o meu pijama manchado de espaguete,
meu cabelo sujo e meu lindo bebê no meu quadril – e meus olhos vagam ao redor
da sala, parando para observar os brinquedos salpicando no chão e a nova arte
deslumbrante das crianças na geladeira.
E eu quero dizer:
Como foi o meu dia? Hoje foi uma vida. Foi o melhor dos tempos e o pior dos
tempos. Houve momentos em que meu coração estava tão preenchido que parecia que
ia explodir, e houve outros momentos em que meus sentidos estavam sob tal
ataque intenso que eu tinha certeza ia explodir. Fiquei muito solitária e
absolutamente desesperada para ficar sozinha. Eu estava saturada e bombardeada
com tantos toques e, em seguida, no momento que eu coloquei o bebê no berço, eu
ansiava para sentir sua pele doce novamente. Eu estava ao mesmo tempo,
entediada e completamente sobre carregada com tanta coisa para fazer. Hoje foi
demais e não foi suficiente. Era alto e silencioso. Foi brutal e bonito. Eu
estava no meu melhor hoje e, em seguida , apenas um minuto depois, no meu pior.
Às 03:30 de hoje, decidi que devemos adotar mais quatro filhos e, em seguida,
às 3:35 eu decidi que devemos desistir das crianças que já temos e dá-las para
adoção. Marido, quando seu dia é completamente e totalmente dependente dos
humores, necessidades e horários de minúsculos, desarrumados e lindos
pestinhas, o seu dia é todas as coisas e nenhuma das coisas, às vezes dentro do
mesmo período de três minutos. Mas eu não estou reclamando. Isto não é uma
reclamação, então não tente consertá-lo. Eu não teria meu dia De
Nenhuma.Outra.Maneira. Só estou contando – e é uma coisa infernalmente
difícil de explicar – um dia inteiro com muitos bebês.
Mas eu estaria cansada demais para dizer tudo isso. Então, eu iria só
chorar, ou gritar, ou sorrir e dizer “foi tudo bem” e, em seguida, entregar o
bebê e sair correndo para o Target* a vagar sem rumo pelos corredores,
porque isso é tudo que eu realmente queria. Mas isto seria um pouco triste,
porque o amor é sobre realmente ser visto e conhecido, e assim eu não estaria
sendo vista nem conhecida. Tudo era muito difícil de explicar. E fez de mim,
uma pessoa solitária.
Então nós fomos foi para a terapia.
Através da terapia, aprendemos a perguntar melhor uns aos outros. Aprendemos
que se você realmente quer conhecer as pessoas, se realmente se importa em
conhecê-las – é preciso fazer melhores perguntas e, em seguida, realmente ouvir
as respostas. Precisamos saber as perguntas que levam junto com elas esta
mensagem: “Eu não estou apenas fazendo um protocolo aqui, eu realmente me
importo com o que você tem a dizer e como você se sente. Eu realmente quero
conhecê-lo.” Se não queremos respostas descartáveis, não podemos fazer
perguntas descartáveis. Uma pergunta com cuidado é a chave que vai desbloquear
uma sala dentro da pessoa que você ama.
Então Craig e eu não perguntamos mais “Como foi seu dia? “.
Depois de alguns anos de prática, a intimidade das perguntas cresceram,
agora nos encontramos perguntando um ao outro perguntas como estas :
Quando você se sentiu amado hoje?
Quando foi que você se sentiu solitário?
O que eu fiz hoje, que fez você se sentir apreciado?
O que eu disse que fez você se sentir despercebido?
O que posso fazer para ajudá-lo agora?
Eu sei. Um pouco estranho num primeiro momento. Mas não depois de um tempo.
Não mais estranho do que fazer as mesmas malditas perguntas vazias que você
sempre fez e que provocam as mesmas malditas respostas vazias que você sempre
recebeu.
E agora, quando nossos filhos chegam em casa da escola, nós não dizemos:
“Como foi seu dia?” Porque eles não sabem. O dia deles foi um monte de coisas.
Em vez disso, perguntamos:
Como você se sentiu durante o teste de ortografia?
O que você disse para a menina nova quando todos saíram no recreio?
Você se sentiu solitário durante todo o dia?
Algumas vezes você se sentiu orgulhoso de si mesmo hoje?
E eu nunca pergunto aos meus amigos: “Como você está? ” Porque eles também
não sabem.
Em vez disso, eu pergunto:
Como está indo a quimio da sua mãe?
Como terminou a reunião com o professor do Ben?
O que está dando certo no trabalho agora?
As perguntas são como presentes – é o pensamento por trás delas que o
receptor realmente sente. Nós temos que conhecer o receptor para dar o presente
certo e fazer a pergunta certa. Presentes e perguntas genéricas são ok, mas
presentes e perguntas pessoais fazem as pessoas se sentirem melhor. O amor é
específico, eu acho. É uma arte. Quanto mais atenção e tempo você dá a suas
perguntas, mais bonitas as respostas se tornam.
Já que a vida é uma conversa, faça com que seja uma boa conversa.
* O texto original em inglês foi publicado no Huffington Post no dia 24 de
Janeiro e escrito pela Glennon Doyle Melton, autora do best seller “Carry On,
Warrior”. Ela divide seus textos, pensamentos e aprendizados no seu blog,
Momastery.com.
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