quarta-feira, 29 de julho de 2015

Sim, eu ainda estou aqui. Mas mudei.

Tive que andar longe um tempo. Muita coisa mudou e estou reorganizando aos poucos minha nova rotina com a fotografia, a casa, os filhos, e até com o marido.
Desde o nascimento do Gabriel que eu já vinha pensando em mudar a nossa vida. Com eu publiquei em setembro de 2014, com o brilhante texto MUDE. E assim foi o processo, lento e pensativo. 
Mas a decisão final foi tomada mesmo no dia 23 de Março, junto com o texto É preciso ir embora. Foi neste dia que vi meu gerente subindo as escadas sozinho e senti que a hora era esta - por que a coragem pode faltar e o momento passa. Subi as escadas em um pulo só, parei do lado dele e disse que não ia ficar triste se meu nome estivesse na lista de demissões que estavam por vim. Voltei para minha mesa com um misto de alegria contida e desespero - louca, o que você fez!!! Pronto, o passo foi dado.
"É preciso ir embora. Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva. As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas."
Dia 01 de Abril fui demitida do meu emprego de 12 anos. Era o dia D na empresa. Sabia que muitas pessoas seriam demitidas. Já tinha feito um backup do meu laptop e retirado aos poucos a maior parte das coisas das minhas gavetas durante os dias anteriores. Meu chefe falou que eu facilitei muito a vida de um gerente. Eu me senti feliz com isso, e com todos os abraços que ganhei, com todos os amigos verdadeiros que fiz. Encerrei um ciclo muito bacana da minha vida na Telemar/OI, que me rendeu... uma vida. 
Não chorei desde então - já tinha chorado muito antes de tomar esta decisão. Não sinto que perdi algo por que a OI vai sempre fazer parte da minha vida. 
Já tinha uma viagem de ferias programada e aproveitei para colocar a cabeça no lugar e pensar novos projetos.
De volta a vida real, me dediquei de corpo e alma ao projeto de me profissionalizar na fotografia, e aprimorar esta paixão em registrar tudo por meio da minha lente. Desde então tenho aprendido, me divertido e, sobretudo, conhecido pessoas e histórias incríveis. Estou experimentando dia a dia o prazer de, pela primeira vez na vida, ser dona da minha força de trabalho e da minha agenda. 
Descobri a paixão pela fotografia de Newborn, arte que tem me envolvido cada vez mais. Me contratei 100% para cuidar da minha família e fotografar outras, com todo o prazer e amor desta vida.
E aqui estou eu.






quarta-feira, 24 de junho de 2015

E sempre que volto de Minas insistem em ficar por lá..

Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas voar… Voar a vida não deixou. Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar.
Muito bem. Aí o homem foi lá e criou a roda. A Kombi. O patinete. A Harley. O Boeing 737. E a gente descobriu que, mesmo sem asas, poderia voar. Mas a grande complicação foi quando a gente percebeu que poderia ir sem data para voltar.
E assim começaram a surgir os corajosos que deixaram suas cidades de fome e miséria para tentar alimentar a família nas capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar com o futuro incrível e hipotético que os espera. Os corajosos que deixaram cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem duas vezes. Os corajosos que deixaram, enfim, a vida que tinham nas mãos, para voar para vidas que decidiram encarar de peito aberto.
A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas.
E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão.
Mas será que a gente aprende? A ficar doente sem colo, a sentir o cheiro da comida com os olhos, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos, dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras?
Será que a gente aprende? A ser filho de longe, a amar via Skype, a ver crianças crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente?
Será que a vida será sempre esta sina, em qualquer dos lados em que a gente esteja? Será que estaremos aqui nos perguntando se deveríamos estar lá e vice versa? Será teste, será opção, será coragem ou será carma?
Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo? Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar?
Eu sei que não é fácil. E que admiro quem encarou e encara tudo isso, todo dia.
Quem deixou Vitória da Conquista, São José do Rio Preto, Floripa, Minas Gerais, Recife, Sorocaba, Cuiabá ou Paris para construir uma vida em São Paulo. Quem deixou São Paulo pra ir para o Rio, para Brasília, Dublin, Nova York, Aix-en-provence, Brisbane, Lisboa. Quem deixou a Bolívia, a Colômbia ou o Haiti para tentar viver no Brasil. Quem trocou Portugal pela Itália, a Itália pela França, a França pelos Emirados. Quem deixou o Senegal ou o Marrocos para tentar ser feliz na França. Quem deixou Angola, Moçambique ou Cabo Verde para viver em Portugal. Para quem tenta, para quem peita, para quem vai.
O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep walking.

* Texto de Ruth Manus, publicado originalmente no Estadão. Mas podia ser meu.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Todo mundo precisa de um tempo

Por isso eu sumi.
Muita coisa aconteceu e meu tempo ficou curto, e - eu mudei. Mudamos sempre.

Neste tempo:
- Fui a Disney
- Fui a Minas
- Fui demitida do emprego de 9 anos
- Me tornei uma fotógrafa
- Meus filhos adoeceram, e adoeceram.
- Perdemos uma avó querida.
- Estou me descobrindo como Dona de casa
- A vida não para.

Mas varios posts vem por ai.



segunda-feira, 11 de maio de 2015

“Ao arrancarem meu crachá, senti como se estivessem arrancando a minha pele”

Por Claudia Giudice   

11 horas da manhã do dia 13 de agosto de 2014. Não era sexta-feira, mas pareceu ser. Eu estava sentada na plateia do Fórum Exame Brasil 2020, no Hotel Unique, em São Paulo. Aguardava a palestra do candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, marcada para as 12h10. 

Com a brochura do evento na mão, passou um flash pela minha mente. O que faço se perder o emprego? Era uma premonição. Mas eu ainda não sabia disso. Comecei a escrever num caderno em branco enquanto o Eduardo Giannetti da Fonseca falava. 

Na primeira página, as minhas receitas: alugueis de imóveis, pró-labore da minha pousada na Bahia, pensão do meu filho, investimentos e indenização. Na folha seguinte os custos fixos: escola e inglês do meu filho, clube, plano de saúde, ajuda de custo para meus pais, salário da Maria, salário da faxineira, internet, Netflix, luz, gás, condomínio, IPTU, alimentação, terapia, gasolina, IPVA, viagens. Na folha seguinte, a conta de padaria mostrava que ia faltar dinheiro. Comecei a cortar. 

E numa outra folha listei alguns desejos: 
1. Doutorado na USP, 
2. Projeto Professora, 
3. Projeto Consultoria, 
4. Projeto Escritora, 
5. Projeto Comunicação e
 6. Projeto Aldeia Hippie. 

Não fui adiante na lista de projetos porque um zunzunzum tomou conta da sala. Um avião havia caído em Santos. Um post na rede social dizia que Eduardo Campos estava a bordo. Fechei o caderno e lembrei que um dia eu fora repórter. Comecei a apurar. Liguei para amigos que faziam a campanha dele. Era verdade. Soube depois que Eduardo havia desistido de participar do Fórum. Mudou de roteiro e escolheu viajar de avião para ao litoral paulista. Saí do evento abalada com sua morte e voltei para o escritório, na Marginal Pinheiros, em São Paulo. Era diretora de uma grande unidade de negócios na maior editora do país. Tinha muito serviço me esperando e esqueci a premonição, que ficou anotada à caneta no caderninho. 11 horas da manhã de 25 de agosto de 2014. 

Doze dias depois. Estava na minha mesa. Era o dia D na empresa. Sabia que muitas pessoas seriam demitidas. Havia falado com minha chefe e ela estava tranquila. Tinha estado com um acionista e com o presidente. Feedbacks positivos. Toca o telefone. O presidente executivo, que assumira há pouco tempo, e fora meu par dois anos antes, queria falar comigo. Subi, entrei em sua sala sorrindo e ouvi o que ele tinha a me dizer: Claudia, você está sendo demitida. Consegui manter o sorriso no rosto, acho. E apenas perguntei: Onde eu assino? Saí da sala com a folha assinada na mão. Tremia junto com ela. Fui direto falar com minha chefe. Perguntar por que ela não me demitiu. Fui demitida, eu disse. Eu também, ela respondeu. Eu, pelo presidente executivo. Minha chefe pelo chefe dele, como mandava a etiqueta hierárquica. 

Desci para o meu andar, reuni as redações num canto – naquele momento eu respondia por 24 marcas e liderava mais de 200 pessoas – e dei a notícia para todos de uma só vez para evitar que o falatório ficasse ainda maior. Um discurso rápido. Agradeci a todos e fui cuidar da burocracia. Meu desejo era ir embora dali o mais rápido possível. Sentia alívio, porque estava vivendo sob enorme pressão já há muitos meses. No ano anterior, não havia entregue o resultado prometido, pela primeira vez em 10 anos ocupando em cargos de direção – eu estava na profissão há 30 anos e na empresa desde 1990, com uma breve interrupção. Naquele duro ano de 2014, o cenário era ainda pior. Depois de oito meses de trabalho intenso, acumulávamos perdas e mais perdas. Era boa a sensação de saber que não precisaria mais nadar contra aquela correnteza. 

Aí lembrei da premonição de duas semanas antes. Preciso encontrar aquele caderno para ver quais eram os meus projetos. Ainda com a adrenalina nas alturas, dei a notícia à família – sempre uma missão árdua. Contei, numa raquetada, para meu pai: Fui demitida, preciso que você pegue o Chico, seu neto, na escola. O resto do dia foi de falar com gente: um zilhão de ligações, e-mails, zap-zaps, conversas com amigos e ex-colegas. Falar faz bem nessa hora. Espanta os pensamentos cáusticos, distrai a dor, prolonga o estofo oferecido pela adrenalina. 

Era neófita no assunto. Nunca havia sido demitida. Tive sorte. Tinha uma viagem de férias marcada para os Estados Unidos naquela semana. Fui e me fez bem. Escapei da falta de rotina dos primeiros dias sem crachá. Escapei da pressão familiar e dos amigos, que querem te deixar bem a qualquer preço – e, sem querer acabam escarafunchando a ferida. Lá, bem longe de casa, desabei pela primeira vez. Chorei feito criança pequena, abandonada, no escuro. Não era medo. Nem necessidade. Não tinha urgência de arrumar outro emprego. Era a dor de perder algo que eu amava. Era a dor de ter sido rejeitada. Sofria porque, ao arrancarem meu crachá de 23 anos, arrancaram junto a minha pele. Estava em carne viva. Doía, latejava, ardia. Por que eu? Por que não me quiseram mais? Por que me descartaram? Por que me despiram da minha identidade? Hoje, oito meses depois, sei exatamente os motivos e entendo a escolha. Talvez fizesse o mesmo no lugar deles, apesar de continuar me achando uma boa profissional, comprometida, uma boa líder e uma boa gestora. Mas, como dizem por aí, quem vive de passado é museu. 

Declinei a vaga oferecida na ala dos dinossauros e fui, como dizem lá na Bahia, procurar a minha melhora. 

No último dia 6 de abril, já de pele nova, entreguei o arquivo do meu livro Vida Sem Crachá para a Ediouro, que deve lançá-lo no segundo semestre. Nele conto como processei a saída da vida executiva e a perda de coisas como holerite, email e celular da firma. E principalmente, narro histórias inspiradoras de gente que, como eu, partiu para um plano B. Tem comédia, tragédia e muitas ideias para começar de novo. Espero, sinceramente, ajudar os próximos da fila a enfrentar esse momento tão difícil e, ao mesmo tempo, tão disruptivo, tão revolucionário, tão transformador. 

Desde dezembro, assumi minha pousada pé na areia, A Capela, com 14 apartamentos, no litoral Norte de Salvador, como meu plano A. O primeiro trimestre de 2015 foi sensacional. Crescemos 80% relação ao ano anterior graças ao aumento do número de apartamentos e uma taxa de ocupação espetacular. Foi o melhor verão da minha vida. Trabalhei, aprendi, me diverti e, sobretudo, conheci pessoas e ouvi histórias incríveis. Fui, dia a dia, experimentando o prazer de, pela primeira vez na vida, ser dona da minha força de trabalho e da minha agenda. Decidi que não queria voltar a ter crachá e parei de procurar emprego. 

Me contratei para cuidar com quatro olhos da minha pousada. Me contratei para escrever o blog A Vida Sem Crachá, livros, crônicas, contos e poemas. Estou montando uma plataforma de comunicação para dar suporte ao livro. Espero desdobrá-lo em outros livros, cursos, workshops e consultoria. Estou cumprindo à risca o plano que escrevi naquela triste quarta-feira (13 de agosto não tem como não ser um dia agourento, né?). 

Estou feliz. E é isso que aproveito para lhe desejar aqui.   


Claudia Giudice, 49, empresária, jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade São Paulo, ex-executiva. Trabalhou por 23 anos na maior editora de revistas do país e teve seu nome impresso em todos os expedientes, com exceção, justamente, veja só, das revistas de negócios da casa. -

terça-feira, 5 de maio de 2015

Bodas de Papoula ou Barro - Os 8 Anos de Casamento







Quando te vi passar fiquei paralisado

Tremi até o chão como um terremoto no Japão

Um vento, um tufão, Uma batedeira sem botão

Foi assim, viu Me vi na sua mão


Perdi a hora de voltar para o trabalho

Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei

Mil coisas eu deixei só pra te falar

Largo tudo se a gente se casar domingo

Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar

Quem vai sorrir? Quem vai chorar?
Ave Maria, sei que há Uma história pra sonhar
Pra sonhar

O que era sonho se tornou realidade

De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem

Nossa Jerusalém, Nosso mundo, nosso carrossel

Vai e vem vai E não para nunca mais

De tanto não parar a gente chegou lá

Do outro lado da montanha onde tudo começou

Quando sua voz falou Pra onde você quiser eu vou

Largo tudo Se a gente se casar domingo


Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar
Num avião a decolar Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir? Quem vai chorar?
Ave Maria, sei que há Uma história pra contar

Domingo na praia, no sol, no mar ou num navio a navegar

Num avião a decolar Indo sem data pra voltar

Toda de branco no altar

Quem vai sorrir? Quem vai chorar?

Ave Maria, sei que há Uma história pra contar
Pra contar

Pra Sonhar 

Marcelo Jeneci

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Disney, um sonho possível

Enquanto este Post vai ao ar estaremos voando rumo a Disney com toda a família, para a viagem dos sonhos. Isso é real .