terça-feira, 17 de julho de 2012

Meu filho, você não merece nada

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada.

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Texto da Jornalista Eliane Brum

domingo, 8 de julho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Para não perder o caminho...

Um dia ela quis embora. Arrumou as malas, juntou tudo o que achava importante e partiu. Decidiu não olhar para trás, por que assim não teria saudades ou a dor fosse menor. Deixou todos os que amava, e que a amavam, por que precisava de liberdade.. (essa tal liberdade é assunto para outro post, outro dia...)

E ela conheceu o mundo, o tempo passou, a necessidade de fugir acabou, ficou raízes, casou, virou mãe. E de repente, tudo o que tinha ficado para trás foi novamente revirado, como se ela acordasse em um sonho, ou tivesse sido uma amnesia por 20 anos - e ela se pegou com saudades, muitas saudades.

Saudades de casa. Saudades do cheiro da infância, saudades dos amigos que deixou pelo caminho. Saudades da menina que foi um dia e que enterrou lá dentro, trancada longe demais. Saudades de estar perto de quem a conheceu um dia, de verdade. E naquele dia ela chorou, chorou de felicidade. Chorou por ter acordado a tempo, por ter a chance de resgatar tudo aquilo que julgava perdido, de ver que a amizade verdadeira sobrevive a muitos anos, quer conversar com pessoas que a conheceram de verdade pode ser muito bacana, que o cheiro da infância ainda é o mesmo.


Muitas mulheres em uma só

Não podemos mudar o passado, mas sempre podemos fazer um futuro diferente.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Chuveirinho, banheira, chuveiro, hum?

Próximo aos 3 anos e o B ainda toma banho de banheiro. Estranho? Nem um pouco. Ele adora, e eu não me importo nem um pouco com ele passar horas dentro da banheira - na verdade, ate tenho um pouco de inveja daquelas perninhas para cima, da agua quentinha com espuma, da tranquilidade dele (como eu queria ter uma banheira para mim também !!!)


Mas, como tudo que é bom, a banheira esta ficando pequena para meu gatinho em pleno crescimento. Vou colocar um chuveirinho, mas como a combinação criança e chuveiro não é a melhor do mundo, ando procurando novas ideias para continuar oferecendo a opção da banheira para o B, sem grandes custos por que  não vou fazer uma banheira agora, claro..

Olhando na NETachei a Banhair, que vende em BH (será que vale?) - mandei um email para saber o preço, parece bem bacana, vamos ver o preço - é adaptavel ao box e até eu vou usar se for legal mesmo :)

Será que isso vai dar certo dentro do meu box ou vai ser um
desastre total...
Outra que encontrei foi esta Bibath, só que é americana. É uma banheira portátil, ideal para quem mora em apartamentos menores onde não há banheira.

Bonitinha? Ou ordinária...
E ai, qual será a escolha ou outras opções??

Editado: Resolvemos assim !!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A dor de uma perda.

Esta semana foi especialmente difícil para mim. Meu padrinho, tio e segundo pai faleceu. Além de toda a dor da perda vem junto a saudade e as lembranças do meu pai, que já morreu a alguns anos, a importancia de uma grande amizade e a certeza que no final somos a soma das nossas escolhas.

Todos os amigos do meu pai, salvo um, estão no céu - em festa esta semana, eu imagino, espero que tenha bebida alcoolica por lá... Todos viveram intensamente, pescaram muito e beberam demais.

Este texto de Maria Lucia Becattini é uma linda homenagem para você, Tio Chico, por isso transcrevo aqui.

Adeus a um amigo (Maria Lucia Becattini)

Nunca nos acostumamos com a morte! A dor da perda é inevitável e sabemos que temos de conviver com isto, pois a morte faz parte da vida. A ideia de nunca mais ver doi demais, e sempre pensamos que poderíamos ter usufruido mais da presença daquele que se foi para sempre. Assim é a vida...

No dia 20 de junho Montes Claros perdeu um de seus filhos ilustres, o médico neurologista Francisco Almir Pires.

Tivemos o privilégio de conviver com ele e sua família. Era um verdadeiro amigo de meu saudoso marido, se consideravam como irmãos. Nossas famílias sempre viajavam juntas nas férias, e nos tornamos padrinhos de casamento dos filhos. Francisco nos alegrava com suas piadas e brincadeiras, era uma festa conviver com amigos tão queridos!

Médico humanista, exercia sua profissão como um sacerdócio. Poderia citar inúmeros casos em que salvou vidas, em complicadas cirurgias.

Em certa ocasião, pedi-lhe que atendesse Eliane, uma menina de 12 anos com tumor cerebral. Francisco a recebeu em seu consultório com todo carinho, com brincadeiras, conquistando seu jovem coração. O caso era muito grave, ela foi internada, fez todos os exames, passou por modernos tratamentos, foi operada e infelizmente faleceu. Francisco deu assistência completa para aquela pobre menina. Quando fui acertar as despesas do longo tratamento Francisco já havia pago tudo, inclusive o hospital. Não quis aceitar nosso pagamento e ainda nos deu uma lição de vida, dizendo que foi um privilégio ajudar aquele anjinho. Assim era Francisco...

Ele cumpriu sua trajetória aqui na terra fazendo o bem, e semelhante a S. Francisco, seu santo de devoção, ele escolheu ser instrumento da paz. Cumpriu sua missão aqui na terra com dignidade e honra, mesmo durante sua dolorosa doença. Ao seu lado tinha uma mulher magnífica que o amou, cuidou e o amparou em todos os momentos de sua vida. Maria Luiza Pires cumpriu sua missão de esposa com amor e coragem até o fim. Querida amiga, estou solidária com vocês nestes momentos difíceis...

Vamos imaginar Francisco sendo recebido em festas na dimensão superior por seus amigos queridos, Deusdedit , Joanir, Eduardo, Clóvis e Aderbal que o levarão para uma maravilhosa pescaria de estrelas! Que Deus em sua infinita misericórdia, nos conforte por tamanha perda. Descanse em paz, querido amigo!"

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rio +20

Está rolando no Rio de Janeiro nestes dias a  Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que vai de 13 a 22 de junho de 2012.

A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92 (ano que me mudei pela primeira vez para o Rio de Janeiro...) e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.

O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.

O que nem todos sabem é que podemos participar de vários eventos bacanas, que estãoo rolando pela cidade, alguns oficiais e outros alternativos, como mostras de cinema, exposições, caminhadas, debates, conferências e fóruns.



Na Veja Rio veio a programação da agenda verde. Leia e programe sua viagem por todos os cantos desta cidade maravilhosa: (Caótica, mas maravilhosa sim)

Particularmente vou começar amanhã pelo Forte de Copacabana, onde está a Tenda da Humanidade e depois o  Museu do Meio ambiente, no Jardim Botânico - nos dois lugares estão ocorrendo exposições incríveis, quero muito conferir!

A Rio +20 já está sendo também, uma pequena amostra do que nós, moradores do Rio, vamos passar com todos estes grandes eventos que vão vir para nossa cidade em breve - caos no trânsito, turistas para todo lado... mas a cidade esta limpa, segura, e com um sol maravilhoso - vamos aproveitar !

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ainda bem...



Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer Você

Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei De mim

O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão

Quem diria que a meu lado você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar Assim

O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou

Você que me faz feliz
Você que me faz cantar Assim

Ainda bem (Marisa Monte)

Feliz Dia dos Namorados!

(Atrasado, mas com muito amor, sempre...)